Maria da Natividade

Maria da Natividade é uma senhora de 79 anos. Sempre foi uma pessoa afável, agradável e gentil. Há 10 anos, seu marido Luiz faleceu de infarto fulminante. Ficou muito triste na época, pois fora muito feliz no casamento e agora Luiz se foi e ela ficara sozinha. Tiveram quatro filhas; hoje, todas casadas e com suas famílias.
Até 8 anos atrás, Maria da Natividade morava sozinha em seu apartamento, no centro da cidade. Ali tudo era mais perto, tudo fácil de fazer, comprar, receber e pagar. Mas, bem lentamente, sua memória foi pregando peças e ela não conseguia mais se lembrar de coisas que fizera recentemente, perguntava-se a toda hora se já tinha pagado a conta do condomínio, da luz, se já recebera sua pensão no banco... Que dia é hoje mesmo? As filhas estavam um pouco desconfiadas, mas achavam que estes lapsos de memória eram normais para a sua idade.
Até o dia em que a filha mais velha recebeu um telefonema de Maria da Natividade, chorando, pedindo pelo amor de deus, para acudir a criança que chorava na cozinha. Eram 2 horas da madrugada! Não havia criança nenhuma, era alucinação.
Após este episódio, a vida da mãe e das filhas mudou muito... Até chegar ao diagnóstico de doença de Alzheimer e acertar uma medicação para memória, foi uma verdadeira via sacra de consultórios e exames. Maria da Natividade passou a morar com a filha mais velha, mas não se acostumava com a rotina da casa, para quem, nos últimos anos morou sozinha e quando morava só com seu marido. A filha tinha 5 filhos e mais uma nora e um neto, morando sobre o mesmo teto.
Os períodos de agitação e de querer embora pra sua casa pareciam nunca terminar. Depois de 5 anos do diagnóstico de Alzheimer, não conseguia mais guardar os nomes das filhas e dos netos, não sabia mais datas de aniversários e ficara muito apática, sempre sentada em frente da televisão o dia inteiro (o que deixava a filha mais preocupada, porém era mais cômodo para cuidar). Sua apatia e falta de atividade eram evidentes, pouco falava e começou a apresentar dificuldade para andar.
Há 1 ano atrás, quando desceu um pequeno degrau que dava para cozinha, tropeçou, caiu e quebrou seu fêmur esquerdo. Foi um grande susto e a gota d'água para que sua situação piorasse de vez. Da cirurgia da fratura correu tudo bem, porém já não tinha mais segurança e equilíbrio para andar sozinha de novo: tinha medo de cair! E de uns meses para cá, deu para engasgar com água e comida mais grossa. O médico tinha orientado a família para fazer uma comida mais pastosa, pois havia risco de engasgar a comida para o pulmão.
Como a Fisioterapia poderia ter auxiliado Maria da Natividade, tanto na questão da apatia e inatividade, quanto na questão da prevenção do risco de quedas?
Um dos grandes problemas que as famílias e os cuidadores enfrentam, ao cuidar de idosos com Alzheimer, é em relação ao tempo ocioso e a falta de atividades, que pioram a memória. Qual é a proposta da Terapia Ocupacional para o caso de Maria da Natividade?
Por que apareceu o problema de engasgo (chamamos de disfagia) em Maria da Natividade? Como os profissionais de Fonoaudiologia poderiam prevenir e tratar o problema da disfagia na doença de Alzheimer?

Dr. Márcio Fernando Borges
Geriatra e Cardiologista · CRM-SC 20861 · RQE 12089 · RQE 12090
Médico com mais de 35 anos de experiência em Geriatria e Cardiologia. Referência em saúde da pessoa idosa no oeste de Santa Catarina.
