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Luto: saber escutar a família

Dr. Márcio Borges
Publicado em 23 de setembro de 2024Atualizado em 08 de setembro de 2026
Luto: saber escutar a família

Durante o processo dos cuidados de pessoas idosas em fases avançadas e terminais, muitas vezes os profissionais de saúde têm uma intima ligação não só com a pessoa idosa, mas também com a sua família, seja em casa, no hospital ou na instituição de longa permanência. Vivencia-se a passagem da pessoa idosa e a ajuda nos últimos momentos de sua vida, evitando sofrimento e dores, bem como não buscando o que chamamos de futilidade terapêutica (não deixar viva à todo custo). A família apega-se ao profissional de saúde, pelo trabalho, pela humanidade e pelo carinho que devota ao seu idoso enfermo. Cria-se, muitas vezes, laços afetivos e de respeito, que perduram por anos...

É muito comum que, após a morte da pessoa idosa ocorra, por parte dos familiares, um retorno ao profissional de saúde (o médico, a enfermeira, o cuidador profissional, etc. ), para conversar, relembrar ou somente agradecer. Ali encontramos a família triste e enlutada, vivenciando a dor de uma grande perda e que, muitas vezes, quer externá-la. Vêm as lágrimas e, como interlocutores, ficamos sem ação, sentindo até um certo desconforto pela situação.

Porém, umas das coisas mais importantes que podemos fazer por alguém que sofre uma grande perda é ESCUTAR! Embora se ache que escutar alguém seja uma coisa relativamente fácil de se fazer, prestar atenção e ajudar, nesse caso, pode tornar-se muito difícil. Escutar ativamente é uma forma especial de responder, através da qual quem ajuda transmite a sua compreensão das idéias e sentimentos que estão sendo expostos.

Escutar o outro e entender o que o outro diz, sob o "ponto de vista dele!" Compreender bem o que a pessoa enlutada lhe diz. E isto, muitas vezes, não se demonstra com a sua fala e com o seu ponto de vista sobre o assunto. Somente um aceno de cabeça, um sinal de assentimento, uma resposta não-verbal, é o que basta.

Pode ser que você não esteja escutando se:

  • Diz que compreende a dor da pessoa enlutada, quando ainda não teve experiência similar.
  • Tem uma resposta para a dor da pessoa enlutada, antes que ela tenha terminado de falar, completando até a frase por ela.
  • Interrompe a pessoa enlutada a todo momento.
  • Conta a sua experiência e faz parecer que a experiência da pessoa em luto irrelevante.
  • Falar com outras pessoas ao mesmo tempo, fingindo que dá atenção à pessoa enlutada.
  • Rejeita o agradecimento, demonstrando que não fez nada, não ajudou em nada, não dando muita importância.

Ao contrário, você realmente está escutando quando:

  • Tenta realmente compreendê-la, ainda que o que a pessoa enlutada diga não faça muito sentido.
  • Entende o ponto de vista das pessoa enlutada, ainda que seja contrários às suas convicções pessoais.
  • Percebe que o tempo que passou com a pessoa enlutada te deixou um pouco cansado e desgastado.
  • Concede-lhe a dignidade de tomar as próprias decisões, embora talvez não lhe pareçam as mais corretas.
  • Não pega os problemas da pessoa enlutada para si, mas sim a ajuda a lidar com as dificuldades à maneira dela.
  • Reprime a tentação de lhe dar um bom conselho.
  • Não oferece ainda conforto espiritual, quando percebe que a pessoa enlutada ainda não está pronto para receber.


Dr. Márcio Borges

Dr. Márcio Fernando Borges

Geriatra e Cardiologista · CRM-SC 20861 · RQE 12089 · RQE 12090

Médico com mais de 35 anos de experiência em Geriatria e Cardiologia. Referência em saúde da pessoa idosa no oeste de Santa Catarina.

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