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Avaliação pré-operatória do idoso: o papel do geriatra

Dr. Márcio Borges
Publicado em 09 de outubro de 2026Atualizado em 09 de outubro de 2026
Médico geriatra conversando com paciente idoso antes de uma cirurgia

Com o aumento constante da expectativa de vida, um número cada vez maior de pessoas idosas precisa passar por cirurgias. Sejam operações eletivas, como próteses de quadril e retirada de tumores, ou intervenções de emergência, levar um paciente idoso ao centro cirúrgico exige cuidados que vão muito além dos exames tradicionais. Nesse momento decisivo, a avaliação e o acompanhamento do médico geriatra tornam-se fundamentais para aumentar a segurança e as chances de sucesso de todo o processo.

Idade cronológica não é idade biológica

Quando avaliamos uma pessoa idosa, a idade registrada na carteira de identidade revela muito pouco sobre a sua verdadeira condição de saúde. Dois indivíduos com os mesmos 75 anos podem apresentar estados de saúde totalmente opostos: enquanto um mantém hábitos ativos e ótima reserva física, o outro pode acumular doenças crônicas e perda muscular. Essa é a diferença fundamental entre a idade cronológica e a idade biológica. O geriatra é o especialista preparado para compreender essa diferença e prever como o organismo do paciente vai responder ao impacto físico da cirurgia.

A Avaliação Geriátrica Ampla antes da cirurgia

A principal ferramenta do geriatra é a Avaliação Geriátrica Ampla. O parecer pré-operatório tradicional, o conhecido "risco cirúrgico", concentra-se principalmente no coração e na circulação. A Avaliação Geriátrica Ampla vai além e enxerga a pessoa idosa de forma integral. O médico examina a função do coração, dos rins e dos pulmões, mas também investiga a memória, a capacidade cognitiva, o estado nutricional, a força muscular e a lista detalhada de medicamentos em uso. Essa visão global permite ajustar remédios que poderiam provocar reações graves ou episódios de confusão mental durante a internação.

Fragilidade e delirium: os riscos que precisam ser identificados

Outro pilar essencial é o diagnóstico da síndrome da fragilidade. O paciente considerado frágil tem menor reserva física e fica significativamente mais suscetível a complicações pós-operatórias, como infecções, perda da mobilidade e o delirium, um quadro de confusão mental aguda bastante comum em idosos hospitalizados. Detectar essa vulnerabilidade com antecedência permite adotar estratégias de proteção desde o início.

Pré-habilitação: preparar o corpo antes da operação

Nas semanas que antecedem a operação, o geriatra coordena a chamada pré-habilitação. Trata-se de um plano de preparo personalizado que combina fisioterapia respiratória e motora, reforço nutricional focado em proteínas e orientação aos familiares. Chegar à cirurgia com o corpo nutrido e fortalecido costuma encurtar a recuperação de maneira expressiva.

O acompanhamento no pós-operatório

No pós-operatório, a parceria entre o geriatra e o cirurgião assegura um cuidado contínuo. O especialista atua no controle da dor sem o uso exagerado de sedativos, estimula a alimentação precoce e incentiva a pessoa idosa a se movimentar logo nos primeiros dias. Medidas simples também ajudam a prevenir o delirium: manter óculos e aparelho auditivo, respeitar o sono, orientar a pessoa sobre dia e hora e estimular a presença da família.

Devolver autonomia e qualidade de vida

Em última análise, o acompanhamento geriátrico ajuda a cirurgia a cumprir o seu propósito mais nobre: não apenas tratar uma doença, mas devolver ao paciente sua autonomia, independência e qualidade de vida.

Avaliação pré-operatória da pessoa idosa em Chapecó

Em Chapecó (SC), o Dr. Márcio Borges, geriatra e cardiologista, especialista em Geriatria pela SBGG, faz a avaliação pré-operatória da pessoa idosa reunindo as duas especialidades na mesma consulta: o risco cirúrgico do coração, com eletrocardiograma no consultório, e a Avaliação Geriátrica Ampla. Atende pela Unimed e particular. Saiba mais sobre a consulta com geriatra em Chapecó e a consulta com cardiologista em Chapecó, ou agende pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

Toda pessoa idosa precisa passar pelo geriatra antes de uma cirurgia?

É especialmente indicado para quem tem mais de 75 anos, várias doenças, usa muitos medicamentos, tem perda de memória, quedas ou perda de peso e força, e para cirurgias de médio e grande porte.

Qual a diferença entre o risco cirúrgico e a Avaliação Geriátrica Ampla?

O risco cirúrgico tradicional avalia principalmente o coração e a circulação. A Avaliação Geriátrica Ampla inclui também memória, nutrição, força muscular, mobilidade e revisão de todos os medicamentos, o que permite prevenir complicações típicas da pessoa idosa.

O que é delirium pós-operatório?

É uma confusão mental aguda que pode surgir após a cirurgia, com desorientação, agitação ou sonolência excessiva. É comum em pessoas idosas, aumenta o tempo de internação e, em boa parte dos casos, pode ser prevenido.

A idade avançada impede uma cirurgia?

Não. O que pesa é a condição de saúde, ou seja, a idade biológica, e não o número de anos. Muitas pessoas acima de 80 anos operam com segurança quando são bem avaliadas e preparadas.

Dr. Márcio Borges

Dr. Márcio Fernando Borges

Geriatra e Cardiologista · CRM-SC 20861 · RQE 12089 · RQE 12090

Médico com mais de 35 anos de experiência em Geriatria e Cardiologia. Referência em saúde da pessoa idosa no oeste de Santa Catarina.

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