Avaliação pré-operatória do idoso: o papel do geriatra

Com o aumento constante da expectativa de vida, um número cada vez maior de pessoas idosas precisa passar por cirurgias. Sejam operações eletivas, como próteses de quadril e retirada de tumores, ou intervenções de emergência, levar um paciente idoso ao centro cirúrgico exige cuidados que vão muito além dos exames tradicionais. Nesse momento decisivo, a avaliação e o acompanhamento do médico geriatra tornam-se fundamentais para aumentar a segurança e as chances de sucesso de todo o processo.
Idade cronológica não é idade biológica
Quando avaliamos uma pessoa idosa, a idade registrada na carteira de identidade revela muito pouco sobre a sua verdadeira condição de saúde. Dois indivíduos com os mesmos 75 anos podem apresentar estados de saúde totalmente opostos: enquanto um mantém hábitos ativos e ótima reserva física, o outro pode acumular doenças crônicas e perda muscular. Essa é a diferença fundamental entre a idade cronológica e a idade biológica. O geriatra é o especialista preparado para compreender essa diferença e prever como o organismo do paciente vai responder ao impacto físico da cirurgia.
A Avaliação Geriátrica Ampla antes da cirurgia
A principal ferramenta do geriatra é a Avaliação Geriátrica Ampla. O parecer pré-operatório tradicional, o conhecido "risco cirúrgico", concentra-se principalmente no coração e na circulação. A Avaliação Geriátrica Ampla vai além e enxerga a pessoa idosa de forma integral. O médico examina a função do coração, dos rins e dos pulmões, mas também investiga a memória, a capacidade cognitiva, o estado nutricional, a força muscular e a lista detalhada de medicamentos em uso. Essa visão global permite ajustar remédios que poderiam provocar reações graves ou episódios de confusão mental durante a internação.
Fragilidade e delirium: os riscos que precisam ser identificados
Outro pilar essencial é o diagnóstico da síndrome da fragilidade. O paciente considerado frágil tem menor reserva física e fica significativamente mais suscetível a complicações pós-operatórias, como infecções, perda da mobilidade e o delirium, um quadro de confusão mental aguda bastante comum em idosos hospitalizados. Detectar essa vulnerabilidade com antecedência permite adotar estratégias de proteção desde o início.
Pré-habilitação: preparar o corpo antes da operação
Nas semanas que antecedem a operação, o geriatra coordena a chamada pré-habilitação. Trata-se de um plano de preparo personalizado que combina fisioterapia respiratória e motora, reforço nutricional focado em proteínas e orientação aos familiares. Chegar à cirurgia com o corpo nutrido e fortalecido costuma encurtar a recuperação de maneira expressiva.
O acompanhamento no pós-operatório
No pós-operatório, a parceria entre o geriatra e o cirurgião assegura um cuidado contínuo. O especialista atua no controle da dor sem o uso exagerado de sedativos, estimula a alimentação precoce e incentiva a pessoa idosa a se movimentar logo nos primeiros dias. Medidas simples também ajudam a prevenir o delirium: manter óculos e aparelho auditivo, respeitar o sono, orientar a pessoa sobre dia e hora e estimular a presença da família.
Devolver autonomia e qualidade de vida
Em última análise, o acompanhamento geriátrico ajuda a cirurgia a cumprir o seu propósito mais nobre: não apenas tratar uma doença, mas devolver ao paciente sua autonomia, independência e qualidade de vida.
Avaliação pré-operatória da pessoa idosa em Chapecó
Em Chapecó (SC), o Dr. Márcio Borges, geriatra e cardiologista, especialista em Geriatria pela SBGG, faz a avaliação pré-operatória da pessoa idosa reunindo as duas especialidades na mesma consulta: o risco cirúrgico do coração, com eletrocardiograma no consultório, e a Avaliação Geriátrica Ampla. Atende pela Unimed e particular. Saiba mais sobre a consulta com geriatra em Chapecó e a consulta com cardiologista em Chapecó, ou agende pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
Toda pessoa idosa precisa passar pelo geriatra antes de uma cirurgia?
É especialmente indicado para quem tem mais de 75 anos, várias doenças, usa muitos medicamentos, tem perda de memória, quedas ou perda de peso e força, e para cirurgias de médio e grande porte.
Qual a diferença entre o risco cirúrgico e a Avaliação Geriátrica Ampla?
O risco cirúrgico tradicional avalia principalmente o coração e a circulação. A Avaliação Geriátrica Ampla inclui também memória, nutrição, força muscular, mobilidade e revisão de todos os medicamentos, o que permite prevenir complicações típicas da pessoa idosa.
O que é delirium pós-operatório?
É uma confusão mental aguda que pode surgir após a cirurgia, com desorientação, agitação ou sonolência excessiva. É comum em pessoas idosas, aumenta o tempo de internação e, em boa parte dos casos, pode ser prevenido.
A idade avançada impede uma cirurgia?
Não. O que pesa é a condição de saúde, ou seja, a idade biológica, e não o número de anos. Muitas pessoas acima de 80 anos operam com segurança quando são bem avaliadas e preparadas.

Dr. Márcio Fernando Borges
Geriatra e Cardiologista · CRM-SC 20861 · RQE 12089 · RQE 12090
Médico com mais de 35 anos de experiência em Geriatria e Cardiologia. Referência em saúde da pessoa idosa no oeste de Santa Catarina.
